Detalhes do projeto SGP 1862

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AVALIAÇÃO DA QUALIDADE PÓS-COLHEITA DE UVA NIAGARA ROSADA DA REGIÃO DE JUNDIAHY PARA OBTENÇÃO DO CERTIFICADO DE INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA

Coordenador(a): Silvia Regina de Toledo Valentini

Vigência do projeto

01/06/2016 até 28/06/2019

Unidade responsável

IAC, Centro de Ecofisiologia e Biofísica

Área Estratégica

políticas públicas

Linha de Pesquisa

Sistemas de produção

 

 

1. Justificativa

A uva Niagara Branca é uma variedade originária dos Estados Unidos da América (EUA), pertencente à espécie Vitis labrusca. Teve origem em 1868 a partir do cruzamento das variedades Labrusca concord x cassady e continua sendo cultivada nos EUA, Canadá, Nova Zelândia e Brasil (Rocha et al., 2006).

No Brasil, a variedade Niagara Branca foi introduzida em 1894, disseminando-se na região de Jundiahy. Em 1933 surge em Jundiahy, no então bairro de Louveira, por mutação somática em um pé de Niagara Branca, a Niagara Rosada que, em menos de dez anos, conduziu radical transformação na estrutura vitícola paulista. Houve então declínio da produção de Niagara Branca, substituída aceleradamente pela sua mutação Rosada e foi estabelecido, em conseqüência, o perfil do vinhedo paulista, o maior centro produtor de uva de mesa do Brasil. O desenvolvimento da produção de uva no Estado de São Paulo contou com a influência da colonização italiana, dos seus costumes, seus conhecimentos técnicos tradicionais sobre o manejo das videiras e do trabalho em família.

Já em 1940, a região de Jundiahy foi denominada “como a mais importante região vitícola do Estado de São Paulo, por possuir a maior área plantada de uva do Estado e ser a principal fornecedora do produto para os mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e interior do Estado de São Paulo”. A área cultivada com uva Niagara Rosada representava 42,3% do total do Estado, sendo o então distrito de Louveira o mais importante (Homem de Melo, 1945). Após mais de 70 anos, a região continua sendo a maior produtora de uva Niagara Rosada, comercializada em todo o Brasil (Rocha et al., 2006).A região histórica de Jundiahy reúne os municípios de Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Itatiba, Jarinu, Morungaba, Itupeva, Varzea Paulista e Campo Limpo Paulista.

Nessa região a Niagara Rosada é cultivada por agricultores familiares em pequenas propriedades, onde residem e trabalham, tendo no cultivo da uva sua principal fonte de renda.

No município de Jundiaí, a grande maioria do produtores possuem pequenas propriedades, em 90% dos casos as áreas são de até 20 ha, com a particularidade da metade ser de apenas até 5 ha. O cultivo da uva está concentrado nesses menores estratos, em 73,30% dos casos. No município de Louveira, 320 hectares são cultivados com frutas, sendo 210 hectares de uva Niagara Rosada. São 98 produtores de frutas, sendo que 77 desses cultivam Niagara Rosada exclusivamente ou em consórcio com outras frutas. A produção estimada de uva Niagara Rosada é de 3.950.000Kg/ano, que corresponde a um faturamento de R$ 13.825.000,00 (dados de 2016, Informações da Prefeitura Municipal de Louveira).

A partir da década de 90, houve redução da área cultivada com uva Niagara Rosada e outras frutas na região em função da expansão imobiliária, que tem gerado aumento do preço da terra e dos conflitos nas áreas rurais e periurbanas em função da emergência de outros usos do espaço rural; expansão industrial, que tem contribuído para a escassez de mão de obra especializada no desenvolvimento dos tratos culturais da videira e, consequentemente, aumento dos custos de produção; ausência de estratégias de mercado, fator que contribui para perdas de oportunidades; falta assistência técnica pública, aspecto que favorece o uso indiscriminado de defensivos agrícolas e fertilizantes, contribuindo para a realização de gastos desnecessários e aumento dos custos de produção (Verdi et al., 2012).

Em 2016, a Prefeitura Municipal de Louveira relata que “o município de Louveira já teve mais de 1.000 ha cultivados com uvas. Em 2004 o número oficial era de 670 ha. Em 2014 caiu drasticamente para 360 ha e hoje Louveira não chega aos 300 ha de uvas e temos a certeza que na região de Campinas esses números tem a mesma proporção, sendo até maior em alguns municípios.” (informação da Prefeitura Municipal de Louveira referente a 2016.)

Frente a esse cenário, o Instituto Agronômico de Campinas, a EMBRAPA Monitoramento por Satélte, além Câmara Setorial da Uva e do Vinho do Estado de São Paulo; da ETEC Benedito Storani; do SEBRAE; das Prefeituras e das Associações de Produtores Rurais dos municípios de Jundiaí e de Louveira mobilizaram-se para obter a Indicação de Procedência para a Uva Niagara Rosada. Por meio dessa ação, “o setor vitícola espera obter um diferencial para esse tradicional produto, que aliado a uma eficiente promoção comercial, deverá agregar valor a fruta, incentivando a expansão de seu cultivo sustentável em pequenas unidades de produção agrícola, gerando empregos, renda, incrementando a atividade turística no meio rural e contribuindo para manutenção e para recuperação da paisagem vitícola em torno dos centros urbanos característicos da região, fatos que resultarão em melhor qualidade de vida para toda população.”( Ofício 02-2016 – CSUV/SP, anexo).

“O certificado de Indicação Geográfica (IG) é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, tem reputação e identidade própria e se diferenciam de outros similares disponíveis no mercado. Apresentam qualidades únicas que guardam uma relação direta com o local onde é produzido. São produtos que apresentam uma qualidade única em função de recursos naturais como solo, vegetação, clima e saber fazer (know-how ou savoir-faire). O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI é a instituição que concede o registro e emite o certificado”(http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/indicacao-geografica). 

2.      OBJETIVOS:

Contribuir com conhecimento científico em pós-colheita para que os produtores de Uva Niagara Rosada de Jundiahy obtenham o certificado de Indicação de Procedência junto ao INPI e MAPA.

Avaliar a qualidade pós-colheita de uva Niagara Rosada produzida por produtores vinculados ao Programa de Indicação de Procedência da Uva Niagara Rosada de Jundiahy.

 

3.      MATERIAL E METODOS:

 

3.1   MATERIAL:  cachos de uva Niagara Rosada produzidas por produtores que integram o Programa de Indicação Geográfica da Uva Niagara Rosada de Jundiahy.

 

3.2   MÉTODOS:

As análises serão realizadas de acordo com a INSTRUÇÃO NORMATIVA/SARC Nº 001, DE 01 DE FEVEREIRO DE 2002/ MAPA.

As uvas serão analisadas quanto a:

1. Massa do cacho

2. Formação do cacho

3. Coloração das bagas

4. Ausência de pruína

5. Coloração do engaço

6. Degrana

7. Incidência de podridões

8. Limpeza do cacho

9. Danos profundos e superficiais

10. Teor de sólidos solúveis (o Brix)

11. Acidez Titulável

 

A partir dos resultados será feita a avaliação das uvas analisadas quanto ao atendimento dos requisitos de qualidade definidos pelo Regulamento de Uso do Programa de Indicação Geográfica da Uva Niagara Rosada de Jundihay. 

O Laboratório de pós-colheita do IAC/ Centro de Ecofisiologia e Biofísica tem como atribuições:

·        Definir o cronograma de análises

·        Realizar as análises descritas no presente plano de trabalho

·        Emitir relatórios com os resultados das análises e avaliações segundo os requisitos do Regulamento de Uso do Programa de Indicação Geográfica da Uva Niagara Rosada de Jundiahy. 

  Sobre

O SGP (Sistema de Gestão de Pesquisa) foi implementado em todas as unidades APTA, para centralizar o controle de todos os projetos desenvolvidos sob sua supervisão. [Ler mais]

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